ATUAÇÃO

DIRETRIZES SOCIOAMBIENTAIS

O conceito Água, Biodiversidade e Cultura perpassa os principais projetos da Novo Encanto. Compreende a percepção da Água como recurso essencial e fonte da vida. O conhecimento e atuação para conservação, preservação e uso sustentável da Biodiversidade. A valorização da Cultura para a educação ambiental e atitudes ecológicas em manifestações artísticas, interagindo o cuidado com o meio ambiente e a espiritualidade.

Água

O crescimento das cidades e as demandas globais de alimentos, energia e bens materiais estão colocando uma pressão sem precedentes em nosso planeta, sobre nossos lagos, rios e aquíferos. A escassez e garantia de acesso a Água, elemento essencial que permeia e flui por toda a vida, está no coração dessa crise. Embora as soluções tradicionais, tais como a construção de barragens, reservatórios e outros tipos de infraestrutura, tentem atender a essas necessidades, elas se mostram muito caras e insustentáveis por si próprias.

Acreditamos que a integração de soluções naturais com tecnologias sociais, bem como a implementação de melhores práticas de gestão da agricultura, boa governança, financiamento inovador e ciência aplicada, podem nos ajudar a realizar significativas economias de custos, juntamente com o inestimável retorno da qualidade e quantidade de água melhoradas.

Dentro desses princípios, somamos esforços com todos os que trabalham em prol de uma gestão sustentável das águas para proteger esse recurso vital para as pessoas e a Natureza. Promovemos a conscientização, e buscamos incentivar a cidadania e construir um compromissos políticos para desencadear ações sobre questões críticas do direito à água, visando facilitar a conservação, desenvolvimento, planejamento, gestão e uso eficientes da água em todas as suas dimensões, numa base ambientalmente sustentável.

A Novo Encanto realiza projetos que objetivam a integração socioeconômica com as comunidades, a manutenção dos serviços ecossistêmicos e a mitigação de alterações climáticas. Em áreas de preservação como o Seringal Novo Encanto, compartilha conhecimentos associados à conservação da Natureza, geração de renda, gestão e uso sustentável dos recursos naturais para conservação da biodiversidade.
Foto: Samaúma e Sol refletidos em um igarapé do Rio Iquiri no Acre, por Augusto Pessoa

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Festival das Águas:

O Festival Água no 3º Milênio – de arte e ecologia – objetiva destacar para a sociedade o valor da água à sobrevivência da humanidade, no 3º milênio. Ao reconhecer a água como um elemento sagrado à vida, o Festival define-se como um evento científico e cultural de reverência à água. Por sua natureza agregadora, o Festival propõe aos participantes uma agenda compartilhada de compromisso e responsabilidades de todos pela preservação desse bem comum.

O Festival da Água no Terceiro Milênio busca contribuir efetivamente com esse processo, ampliando o conhecimento e o acesso a informações relevantes, promovendo oficinas de aprendizagem relativas a novas tecnologias para economia de água e saneamento urbano e rural, de alto impacto social e ambiental e de baixo custo. Ao mesmo tempo, devido a seu formato, unindo ciência e arte o evento tem um alto potencial de atratividade e envolvimento público significativo.

Realizado pela primeira vez em Caxambu/MG, no ano 2000, a proposta do Festival da Água desde o início foi unir a arte ao meio ambiente, num espaço para a celebração e conscientização sobre a importância da água. O Festival tem como essência mobilizadora o tema “Cidadania pelas Águas” e vem contando com uma rede de apoio e parcerias com a WWF, Ministério do Meio Ambiente, Organização dos Estados Americanos (OEA), Unesco, Fórum Nacional de Bacias Hidrográficas, Secretaria Nacional de Recursos Hídricos, Rede Paz, Projeto Aquífero Guarani, Comitê da Bacia do Rio Verde, Agência Nacional de Águas, entre outros.

Captação de Água da Chuva:

Implementamos cisternas rurais e barraginhas entre outras alternativas tecnológicas de captação de água de chuva como fonte de geração de renda e sustentabilidade da agricultura familiar. O aproveitamento de água da chuva favorece o acesso à água potável e segurança alimentar das pessoas.

Os sistemas de barraginhas contribuem para a recarga do lençol freático, abastece os mananciais que mantêm as nascentes, cacimbas e córregos. Também umedecem o entorno de cada barraginha e propicia lavouras isoladas. Ao umedecer as baixadas, elas criam as condições para uma agricultura de qualidade e sem riscos de sofrer com a escasses hídrica, a produção de alimentos e melhorias no sustento das família contribui ainda para a geração de renda (local e regional). Essas vantagens também são percebidas nas feiras, no comércio, na saúde, e na satisfação das populações beneficiadas.

Plantando Água Limpa:

Favorecemos o surgimento de água com o uso de técnicas simples que ensina a permacultura, a ciência da cultura permanente, por meio do desenho cuidadoso do uso dos recursos naturais em cada localidade e de acordo com sua realidade ambiental, provendo a acumulação de água, e seu uso racional e equilibrado.

Em comunidades rurais Brasil adentro, aproveitamos o relevo dos terrenos, o cultivo de árvores no entorno das nascentes, a cobertura permanente do solo, a construção de canais de irrigação integrados com usos, como tanques de peixes, as barraginhas e hortas circulares em mandala, a irrigação por capilaridade, para promover a infiltração de toda a água recolhida no lençol freático, contribuindo para que, depois de filtrada, naturalmente, pela terra, a água ressurja em rios, córregos e poços.

A cobertura permanente e diversificada do solo, em sistemas agroflorestais biodiversos, com plantas que usam a água e possuem taxas de evapotranspiração diferentes, quando realizada em escala, propicia, gradualmente, o retorno das águas usadas pelas plantas para seu crescimento, na forma de chuva, orvalho, garoa.

Ao “plantar água” cuidamos de preservar a qualidade do líquido, pois água contaminada não serve para se beber, nem para se irrigar nossas plantas. A terra, grande filtro natural, não consegue eliminar os contaminantes químicos, agrotóxicos ou derivados de petróleo. Assim, estimulamos o uso de técnicas agroecológicas na manutenção dos cultivos e do controle biológico de pragas agrícolas.

Saneamento Ecológico:

Utilizamos elementos do design permacultural para oferecer soluções sustentáveis para o tratamento de efluentes humanos, procurando estabelecer relações positivas, sinérgicas, entre os elementos de um sistema vivo.

Em diversos núcleos rurais e comunidades urbanas do país, implantamos Bacias de Evapotranspiração (BET), um sistema que não gera nenhum efluente e evita a poluição do solo, das águas superficiais e do lençol freático. Nele, os resíduos humanos provenientes dos sanitários convencionais, conhecidos por “água negra”, são transformados em nutrientes para plantas e a água só sai por evaporação, completamente limpa.”

Também implementamos Círculos de Bananeiras, um sistema usado para tratar água proveniente das pias, tanques e chuveiros residenciais (a “água cinza”), e que beneficia a produção em escala de culturas de bananas e outras plantas de folhas largas como o mamoeiro, taioba e inhame, que evaporam e tem capacidade de “tratar” grandes quantidades de água.

Biodiversidade

A vida como conhecemos no planeta é fruto de um delicado equilíbrio entre organismos vivos de todas as origens e ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e complexos ecológicos de que fazemos parte.

País de proporções continentais, o Brasil abriga diferenças climáticas que levam a grandes variações ecológicas, formando zonas biogeográficas distintas: a Floresta Amazônica, o Pantanal, o Cerrado, a Caatinga, os Pampas, e a Mata Atlântica. Biomas cuja a enorme riqueza da flora e da fauna representam a maior Biodiversidade do planeta, elevando o Brasil ao posto de principal nação entre os 17 países megadiversos (ou de maior biodiversidade).

Como forma de enfrentar os desafios decorrentes da expansão da fronteira agropecuária, das sementes transgênicas e do modelo de exploração econômica predatória desses recursos naturais nos diferentes biomas, promovemos iniciativas que envolvem a divulgação de conhecimento e o fomento das diferentes formas possíveis de conservação, com o estabelecimento de áreas com restrição de acesso e uso, e a de uso sustentável e a repartição de benefícios oriundos do uso da biodiversidade.

Promovemos iniciativas inovadoras que envolvem a divulgação de conhecimento e atividades práticas para a conservação, a preservação e a recuperação da Biodiversidade em diferentes biomas
Foto: SuShiping Danist

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Áreas de Preservação

Realizamos trabalhos em áreas de preservação que compõem nosso patrimônio, estão ligadas e/ou são consideradas prioritárias para atuação e desenvolvimento de projetos. Estes contribuem para a integração socioeconômica com as comunidades, a manutenção dos serviços ecossistêmicos e a mitigação e adaptação às alterações climáticas. Buscamos promover conhecimentos associados à conservação da Natureza, geração de renda, gestão e uso sustentável dos recursos naturais, com objetivos de conservação da biodiversidade, nos seguintes locais:

  • Seringal Novo Encanto, no município de Lábrea/AM;
  • Central de Formação de Plantadores, no município de São João da Baliza/RR;
  • Banco de Matrizes Mestre Luziário, no município de Santo Antônio do Tauá/PA;
  • Central de Formação do Cerrado, no município de Taquaruçu do Porto/TO;
  • Estação Serra da Estrela, no município de Magé/RJ; e,
  • Reserva de Mata Atlântica, no município de Antonina/PR.

A premissa básica do trabalho realizado nessas áreas de preservação está em compatibilizar crescimento econômico e conservação dos recursos naturais, para garantir o bem-estar humano.

Restauração Florestal:

Entendemos que a natureza fornece os serviços ambientais ou ecossistêmicos, que são os benefícios essenciais à qualidade de vida e à sobrevivência humana, a exemplo do ar mais fresco e limpo, a provisão de água, alimentos e fibras, a regulação do clima, o controle de inundações e controle da erosão, a polinização e recreação. Sabemos também que apenas os ecossistemas saudáveis e equilibrados podem prover esses benefícios adequadamente e, procuramos fomentar os distintos elos da cadeia da restauração florestal, desde a coleta de sementes e produção de mudas até a restauração em si de áreas degradadas ou completamente destruídas.

A restauração florestal encontra-se relacionada com a difícil tarefa de reconstruir a floresta buscando restabelecer a biodiversidade, as estruturas e complexas relações ecológicas estabelecidas entre os diferentes animais, vegetais, fungos, bactérias, e e o meio físico (solo, água e ar). A restauração florestal envolve, assim, uma reconstrução gradual da floresta, resgatando sua biodiversidade, sua função ecológica e sustentabilidade ao longo do tempo, determinadas pelo uso de várias espécies diferentes, incluindo ervas, arbustos, cipós e outras espécies da fauna, além das funções que cada espécie desempenha, de forma isolada ou em conjunto.

Compreendemos que além do aspecto ecológico, com a demanda por regularização ambiental das propriedades rurais criada pelo Lei de Proteção da Vegetação Nativa, o Novo Código Florestal, a restauração pode trazer oportunidades econômicas não apenas na criação de empregos, mas também em geração de renda à produtores rurais e empreendedores, que podem utilizar espécies economicamente atrativas, em áreas onde esse tipo de produção é legalmente permitido.

Semeando Crioulas:

As sementes crioulas são também conhecidas como sementes ancestrais ou selvagens. Diferente das sementes geneticamente manipuladas, quando plantadas, essas sementes são fonte de diversidade biológica e nutricional para os povos.

A doação ou troca de sementes entre agricultores é uma prática cultural muito antiga e condição fundamental para a sustentabilidade dos ecossistemas, o melhoramento das espécies e a segurança e soberania alimentar das pessoas.

Por meio da realização de Feiras de Sementes Crioulas reunimos centenas de pessoas, entre expositores, agricultores locais, moradores, visitantes e autoridades, no município de Pirenópolis (GO).

As Feiras visam promover a doação e a troca de sementes ancestrais de milho, feijão, arroz, leguminosas, hortaliças, entre outras espécies florestais nativas, que são também traços da identidade cultural dos povos. Nessas Feiras buscamos ainda valorizar a cultura regional com uma programação cultural e musical digna de comemoração da colheita.

PANCs:

Incentivamos a utilização das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), favorecendo a diversificação da alimentação humana com milhares de espécies vegetais então denominadas “mato”, “daninhas” e “invasoras” por espontaneamente nascerem entre as plantas cultivadas ou em locais onde não as desejamos. Com alto valor nutritivo, negligenciadas por grande parte da população e do poder público, as PANCs se referem a partes das plantas (frutos, folhas, flores, rizomas, sementes, etc) que podem ser consumidas pelo homem, cruas e/ou após preparo culinário. Além das “partes de plantas não convencionais”, também trata das “partes não convencionais de plantas comuns”, como por exemplos o uso das folhas de batata-doce e do mangará (coração) da bananeira na alimentação.

Segundo nosso parceiro e entusiasta Prof. Dr. Valdely Ferreira Kinupp, estima-se que no mundo 30.000 espécies vegetais possuem partes comestíveis, mas, ainda assim, 90% do alimento mundial atualmente provêm de apenas 20 espécies, sendo a maioria dessas espécies hoje restrita a poucas cultivares (variedades), tendo muito de sua agrobiodiversidade sido extintas, perdidas ou sofrido grande erosão genética. Com isso, as PANCs tem forte potencial para complementação alimentar, diversificação dos cardápios e dos nutrientes ingeridos e na diversificação das fontes de renda familiar, com a venda de partes das plantas ou de produtos processados (geleias, pães, farinha, etc), e através do turismo, rural ou gastronômico.

Banco de Matrizes Genéticas:

Contribuímos para a consolidação do banco de germoplasma (ou de matrizes) para a conservação da diversidade genética de duas plantas nativas da floresta amazônica de uso ritualístico religioso, o cipó Mariri (Banisteriopsis caapi) e o arbusto Chacrona (Psychotria viridis). Com uma medida para garantir a variabilidade genética dentro de cada espécie, tanto entre populações geograficamente separadas, como entre os indivíduos de uma mesma população, busca-se, igualmente, a preservação do patrimônio cultural imaterial representado pelo chá Hoasca, feito com essas duas plantas sagradas, e utilizado por povos da região amazônica em rituais religiosos e de cura, há tempos fazendo parte de suas culturas.

O Banco de Matrizes Mestre Luziário (BMBL), instituído pelo Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, conserva e disponibiliza material genético que pode ser usado, por meio do melhoramento genético convencional ou da biotecnologia, para expressão de características ou para disseminação de características específicas de cada matriz selecionada. Trata-se da coleção de material vivo, em forma de sementes, pólen, tecidos ou indivíduos cultivados, que visam a conservação da diversidade genética das espécies vegetais que estejam ameaçadas pela erosão genética e/ou que demandem ações para o melhoramento genético.

Cultura

O Brasil abriga também uma rica sociobiodiversidade, representada por mais de 200 povos indígenas e por diversas comunidades, quilombolas, caiçaras, geraizeiros e seringueiros, para citar alguns, que reúnem conhecimentos tradicionais inestimáveis sobre a conservação da biodiversidade.

O conhecimento e os saberes locais expressos nos meios de vida desses povos e comunidades, nas tradições, no folclore, nos fazeres, nas línguas, nas festas e em diversos outros aspectos e manifestações socioculturais, transmitidos oral ou gestualmente, recriados coletivamente e modificados ao longo do tempo, constituem elementos chave para sua capacidade adaptativa e podem traduzir-se em estratégias de resiliência frente às mudanças no uso e ocupação da terra, e às alterações climáticas e eventos extremos delas decorrentes.

Reconhecemos a importância de promover e proteger a memória e as manifestações culturais, especialmente das minorias étnicas e povos indígenas, para quem o patrimônio cultural imaterial é uma fonte de identidade e carrega a sua própria história. Entendemos, igualmente, que essas diversas manifestações socioculturais constituem o fundamento da vida comunitária, e num mundo de crescentes interações globais, o respeito e a revitalização de culturas tradicionais e populares assegura a manutenção da diversidade de modos de vida locais.

A Novo Encanto realiza um trabalho junto aos indígenas da etnia Yudjá (mais conhecidos como Jurunas) no Parque Indígena do Xingu (MT). Desde o início desses cinco anos de trabalho no Xingu, a Novo Encanto vem fazendo consultorias e, a partir de 2016, também vem apoiando o trabalho em áreas como saneamento (construindo fossas ecológicas, auxiliando no manejo dos resíduos) e segurança alimentar (plantando frutas na região), entre outras ações ambientais.
Foto: Bento Viana

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Permacultura:

Entendemos e praticamos a Permacultura como um sistema de design ecológico. É uma abordagem para encontrar soluções para a sustentabilidade em todos os nossos empreendimentos, é uma maneira de olhar para questões do tipo: “Como faço para construir uma casa ecologicamente saudável?”, “Como faço para diminuir a minha própria pegada ecológica?”, “Como aplicar o meu dinheiro para fazer um bom trabalho que restaura as comunidades e a economia local?”, “Como posso cultivar a minha própria comida e criar condições de vida para outros seres vivos, em vez de depender do abastecimento alimentar comercial e de todos os seus vícios?” – para citar algumas.

A Permacultura nos ensina a projetar casas naturais, a criar jardins abundantes, plantar florestas que produzem alimentos, a incluir animais de quintal, construir biodiversidade para proteger a vida selvagem, regenerar paisagens e ecossistemas degradados, coletar água da chuva, desenvolver economias e comunidades éticas e muito mais. Como sistema de design ecológico, a permacultura se concentra nas interconexões entre coisas mais do que nas partes individuais, e pode ser compreendida como um sistema de princípios éticos e ecológicos que, se cuidadosamente perseguido, leva a um sistema vivo regenerativo que apóia o meio ambiente e a justiça social. Um guia para compreender e praticar o desenvolvimento espiritual de cada um.

Seguimos princípios éticos e alguns princípios de planejamento da Permacultura baseados na observação da ecologia e da forma sustentável de interação, produção e meios de vida das populações tradicionais com a natureza, sempre trabalhando a favor dela. Cuidar da terra, cuidar das pessoas, e compartilhar excedentes, são princípios éticos. Observar e interagir; captar e armazenar energia; obter rendimento; praticar a autorregulação e aceitar conselhos (feedbacks); usar e valorizar os serviços e recursos renováveis; não produzir desperdícios; design partindo de padrões para chegar aos detalhes; integrar ao invés de segregar; usar soluções pequenas e lentas; usar e valorizar a diversidade; usar os limites e valorizar os aspectos marginais e invisíveis de qualquer sistema; e, usar a criatividade e responder às mudanças, são princípios de planejamento.

Educação Ambiental:

Reconhecemos o desafio de transformar o aprendiz em um cidadão atuante em questões socioambientais que tragam benefícios à coletividade. Nesse sentido, trabalhamos com ações dirigidas a uma educação para a cidadania, que seja abrangente o suficiente para dispensar o adjetivo “ambiental”, na construção de uma sociedade sustentável por meio dos seguintes aspectos:

  1. criar e fortalecer uma consciência ética que promova o respeito à vida humana e não humana e articule uma renovada visão do mundo, na qual prevaleçam valores que permitem uma relação harmônica e de longo prazo entre a humanidade e a natureza;
  2. elevar o nível de compreensão entre os membros da sociedade sobre a complexidade e a gravidade dos problemas socioambientais de tal maneira, que estes não sejam menosprezados ou percebidos com fatalidade;
  3. aportar elementos conceituais e práticos que permitam às sociedades regionais e aos indivíduos ampliarem seus níveis de participação política e social para formular propostas de desenvolvimento sustentável;
  4. difundir conhecimentos e alternativas específicas que permitam a indivíduos e a coletividade assumir condutas e adotar tecnologias coerentes com o desenvolvimento sustentável; e,
  5. contribuir para estreitar vínculos de solidariedade e respeito entre diversos grupos sociais, na busca da construção de justiça econômica e, a partir daí, reforçar os esforços que visem romper a relação entre pobreza e degradação ambiental.

Com base nesses conceitos, facilitamos a criação de uma nova cultura ambiental, intimamente ligada ao campo da ética, por incorporar caminhos que incluem todos os seres e, buscar a transformação social com base em novos modelos de desenvolvimento.

Consumo Responsável:

Buscamos politizar em nossas ações de educação para a cidadania, nas diferentes comunidades em que nos fazemos presentes no Brasil, a insustentabilidade crescente dos padrões de produção e consumo da economia mundial, e suas relações de interdependência no comércio global. Estudos apontam que a pegada ecológica – pressão exercida pelos consumidores médios dos países mais industrializados nos ecossistemas naturais do planeta – é quatro vezes maior que o dos países de menor renda. Hoje, consome-se 1,5 vezes o que o planeta tem para oferecer, e se esse modelo de consumo não for transformado, a expectativa é de que até 2030 estejamos consumindo dois planetas Terra.

Nesse contexto, reconhecemos a necessidade de assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas dos quais compartilhamos. Adotamos e promovemos diretrizes socioambientais que buscam reduzir os impactos de processos que têm contribuído para a diminuição e perda dos recursos naturais não renováveis do planeta, cientes de que mesmo com o hiperconsumo, a distribuição dos recursos acontece de maneira desigual, fazendo com que ainda exista uma elevada porcentagem da população sem acesso à recursos básicos.

Enfatizamos a importância de práticas coletivas, norteadoras de um processo que engloba os consumidores individuais e prioriza também as ações na sua dimensão política. O grande desafio que se coloca é o da mudança na visão das políticas públicas, para que adotem tecnologias limpas, promovam compras sustentáveis e de produtos da sociobiodiversidade, promovam campanhas de conscientização sobre os fatores que provocam a insustentabilidade ambiental, estimulem atividades não poluidoras e efetivem a implementação de políticas socioambientais urbanas, com ênfase na coleta seletiva, e estímulo à reciclagem e redução do desperdício nas atividades públicas e privadas, enfim, fortaleçam a habilidade da sociedade encontrar um equilíbrio entre o ecologicamente necessário, o socialmente desejável e o politicamente possível.

Alimentação Adequada e Saudável:

A alimentação adequada e saudável é a realização de um direito humano básico, com a garantia ao acesso permanente e regular, de forma socialmente justa, a uma prática alimentar adequada aos aspectos biológicos e sociais dos indivíduos, de acordo com o ciclo de vida e as necessidades alimentares especiais, pautada no referencial tradicional local. Deve atender aos princípios da variedade, equilíbrio, moderação, prazer (sabor), às dimensões de gênero e etnia, e às formas de produção ambientalmente sustentáveis, livres de contaminantes físicos, químicos, biológicos e de organismos geneticamente modificados.

Neste sentido, atuamos em defesa de espécies alimentares e modos de produção tradicional, agroecológicos e biodiversos, promovendo a criação de bancos de sementes comunitários e feiras de trocas de sementes crioulas, bem como incentivando a formação de Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA), por compreender que o cultivo do próprio alimentos que consumimos tornou-se o mais radical dos atos políticos.

Compartilhamos dos princípios do Movimento Slow Food ao promovermos uma alimentação saudável, ambientalmente correta e socialmente justa, composta a partir de conhecimentos científicos e saberes práticos, que incorpora os hábitos alimentares regionais, aproveita ao máximo as potencialidades nutritivas dos alimentos com a utilização de PANCs, seja adequada às condições tecnológicas das comunidades, bem como ao ritmo de vida das famílias, e que evite ao máximo o desperdício e propicie a sustentabilidade, do domicílio à sociedade.

PARCEIROS

AURORA FOUNDATION

Parceira histórica da Novo Encanto, a Aurora Foundation, organização ambientalista estadunidense, tem apoiado iniciativas na preservação da área do Seringal Novo Encanto, no município de Lábrea (AM), e no fortalecimento de jovens indígenas no Xingu.

Além disso, por meio de seed grants (subsídios de sementes, em tradução literal), a Aurora Foundation contribui para inúmeros projetos locais no bioma Cerrado, na captação de águas das chuvas e na Feiras de Sementes Crioulas, promovendo a guarda e a valorização das sementes e a alimentação orgânica e saudável.

FUNDAÇÃO BANCO DO BRASIL

Por meio de convênios de cooperação financeira firmados com a Fundação Banco do Brasil, A Novo Encanto vem implementando projetos ligados à cadeia produtiva da castanha do Brasil na Central de Formação de Plantadores (CFP), em São João da Baliza (RO).

Os beneficiários diretos são agricultores familiares e extrativistas que trabalham na CFP, moradores do local e entorno, que vem se tornando extrativistas sustentáveis e produtores agroflorestais ou recebendo a assistência que a CFP oferece na região, bem como as pessoas que recebem, anualmente, as capacitações específicas para formação de plantadores no local.

Com a Fundação Banco do Brasil, também já desenvolvemos o projeto Conservação Ambiental e Reflorestamento para Recuperação de Recursos Hídricos com Replicação de Tecnologias Sociais, em Brasília (DF). O recurso financeiro provindo da parceria possibilitou a revitalização de uma agrofloresta atingida por um incêndio, o investimento em Permacultura e em parte da área de plantio local.

PETROBRAS

O aprendizado para a vida profissional e o desenvolvimento de capacidades para a gestão sustentável dos recursos naturais é a marca da parceria com a Petrobrás, no Estado de Alagoas.

Por meio do Projeto Jovem Aprendiz, a Novo Encanto trabalha para a formação de uma identidade cultural e ambiental de uma geração de jovens alunos.

Além de um preparo profissional que inclui estudos de Língua Portuguesa, Matemática e Ferramentas Digitais, entre outras disciplinas, os jovens agregam aos seus currículos educação ambiental para o desenvolvimento da responsabilidade social e fundamentos para um desenvolvimento sustentável.

UDV

A compreensão da Natureza em sua dimensão espiritual, compartilhada também pela ecologia profunda (que é a linha da ecologia que trabalha com a dimensão espiritual), é a chave da parceria com o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (UDV).

Por meio de Termo de Cooperação Técnica, a Novo Encanto desenvolve ações conjuntas com os sócios da UDV nas principais cidades do Brasil. São trabalhos de educação ambiental, sensibilização para a conservação e preservação do meio ambiente, bem como o desenvolvimento de capacidades em tecnologias sociais aplicadas em permacultura, agrofloresta, agroecologia, bioconstruções, preservação de nascentes, e na preservação, conservação e restauração de áreas florestais.

Essas ações que integram a Novo Encanto e a UDV estão firmadas no reconhecimento da Natureza como Sagrada e fundamental no processo de autotransformação do ser humano para a busca de sua verdadeira essência.