NOVO ENCANTO CELEBRA COLHEITA

NOVO ENCANTO CELEBRA COLHEITA

Após a 2ª edição da Feira de Sementes Crioulas de Pirenópolis, frutos do trabalho já podem ser colhidos nesta estação

A equipe da 8ª região da Novo Encanto deu início à colheita dos frutos plantados com as duas edições da Feira de Sementes Crioulas de Pirenópolis, evento realizado em parceria com a prefeitura dessa cidade histórica de Goiás. A reportagem do Sentinela da Floresta encontrou sementes frutificando em casas, na escola, em um restaurante do município e até em um Estado da região sudeste.

A história da pedagoga Luana Paz, sócia da Novo Encanto que decidiu mudar-se com a família para Pirenópolis motivada pela 1ª edição da Feira, é parte da colheita em andamento. Hoje, na condição de moradora local, ela faz uma avaliação dos resultados do trabalho: “Vejo alegria nas pessoas que fazem parte do meu cotidiano com tanta riqueza compartilhada gratuitamente”, constata Luana, com respeito aos resultados do dia 15 de outubro de 2016, quando aconteceu a II Feira de Sementes Crioulas em Pirenópolis.

Nesse dia, Luana e outros moradores que também participaram do evento, junto a pequenos produtores tradicionais, técnicos agrícolas, estudantes, ativistas do meio ambiente e da alimentação saudável, entre outros visitantes, puderam receber, além das sementes crioulas, conhecimentos, atrações culturais, mudas, estacas e alimentos que foram degustados no local. Os participantes também levaram para casa um material exclusivo, com informações e receitas de plantas medicinais e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs).

“As pessoas gostaram muito de saber da utilidade de plantas que, antes, tinham como ‘mato’”, afirma Larissa Hoffmann, produtora rural e monitora da Novo Encanto em Planaltina (DF), contabilizando mais frutos positivos. Larissa, que foi responsável pela banca das PANCs no dia do evento, ainda está recebendo retornos do trabalho: “Uma chefe de cozinha de Pirenópolis me enviou fotos de receitas feitas com PANCs, afirmando estar muito feliz com o resultado e com a intenção de plantar e compartilhar o que aprendeu em suas aulas de culinária”.

Do restaurante, a colheita se estendeu até a escola, de acordo com os desdobramentos que Luana Paz vem presenciando em “Piri”, como é chamada, carinhosamente, a cidade escolhida por ela e sua família para morar: “O que mais em alegrou foi presenciar minha filha de oito anos pedindo, insistentemente, para que eu encontrasse beldroega para ela preparar suco verde. Minha surpresa foi ainda maior ao saber que ela aprendeu a receita com uma professora que esteve na Feira de Sementes e que vem, desde então, plantando PANCs nas aulas”.

E, de Pirenópolis, diretamente para 3° Região da Novo Encanto (que inclui os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná), a colheita também acontece em Mairiporã (SP), cidade na qual Claudia de Paula Montanari atua como monitora da Novo Encanto: “Trouxe algumas sementes de crotalária, uma planta que atrai Libélulas que se alimentam de pequenos insetos como o Aedes Aegypti, e que pode reduzir focos de dengue”. Claudia foi a Pirenópolis para aprender a respeito de agrobiodiversidade, plantio de alimentos orgânicos em equilíbrio com a Natureza e saúde humana. Mas, inspirada por todo o trabalho que viu, pretende agora trabalhar na organização de um evento semelhante no Estado de São Paulo.

“Mais colheitas ainda virão”, prevê o médico e nutrólogo Edison Saraiva Neves, um dos idealizadores da Feira de Sementes Crioulas. “Quem, sepultado vivo, no fundo da terra, longe do Sol e do mundo, morre, e no entanto, torna a viver?”, pergunta Saraiva, fazendo referência a um dos enigmas, segundo a tradição judaica, que a Rainha de Sabá propôs ao grande rei Salomão. “A sementinha, foi a resposta. A Feira é uma semente viva plantada no fundo do inconsciente dos seres humanos. Esta 2ª edição já brotou ao Sol. A terceira será ainda mais viva. Quem viver, verá”.

 

AS SEMENTES CRIOULAS
As sementes crioulas são também conhecidas como sementes ancestrais ou selvagens. Diferente das sementes geneticamente manipuladas, quando plantadas, essas sementes crescem e frutificam. Além disso, são fonte de diversidade biológica e nutricional para os povos.

A doação ou troca de sementes entre agricultores é uma prática cultural muito antiga e condição fundamental para a sustentabilidade dos ecossistemas, o melhoramento das espécies e a segurança e soberania alimentar das pessoas.

 

 

Veja também mais um vídeo feito no dia do evento:

 

Texto: Redação Novo Encanto

Colaborou: Fernanda Assis e equipe da 8ª Região da Novo Encanto

 

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