Uso responsável: biodigestor para devolver água limpa ao meio ambiente

Novo Encanto Ecologia

Uso responsável: biodigestor para devolver água limpa ao meio ambiente

Novo Encanto trabalha na construção de sistema de biodigestão em São Paulo

No dia 22 de março, comemoramos o Dia Mundial da Água, uma data que marca e expressa a importância desse bem precioso da natureza.

Entre as iniciativas de tratamento e reuso da água que a Novo Encanto vem realizando, a Organização destaca, nesta semana derradeira de março, a que está acontecendo em São Paulo, no núcleo São João Batista. A direção desse núcleo, localizado em uma das principais reservas da Mata Atlântica do país, a Serra da Cantareira (Mairiporã-SP), decidiu investir na construção de um sistema de tratamento para devolver água limpa ao meio ambiente.

No trabalho, feito por meio de um termo de cooperação técnica com o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (CEBUDV), o sistema de tratamento de águas utiliza um biodigestor capaz de gerar gás suficiente para ser usado na cozinha do núcleo. E incorpora ainda um círculo de plantas e tanques, responsáveis pela limpeza final da água, que volta limpa ao ambiente da floresta da Cantareira. Os resíduos do biodigestor são transformados em adubo, que também é utilizado no plantio e na recuperação da mata nativa.

O sistema resolve definitivamente a questão do lançamento de efluentes no meio ambiente, uma vez que pode funcionar por muitos anos sem a necessidade de novos investimentos, sendo apenas necessária a (baixa) manutenção exigida por esse tipo de solução.

 

O projeto, em fase final de execução, foi elaborado pelo engenheiro civil e permacultor Guilherme Castagna, um dos maiores especialistas no tratamento natural e conservação de água do país. Toda a implantação vem sendo feita pela equipe de manutenção e obras do núcleo São João Batista, orientada por Castagna e pela arquiteta Cláudia de Paula Montanari, que foi monitora da Novo Encanto no núcleo até janeiro deste ano.

De acordo com Castagna, o trabalho está centrado no tratamento de esgoto e resíduos orgânicos da cozinha pois, na situação anterior, toda água da cozinha seguia junto com o esgoto para uma fossa e dali para um sumidouro, onde havia risco de contaminação do lençol freático. “A primeira coisa realizada foi separar a água cinza, proveniente dos chuveiros, tirando-a do sistema e direcionando para a infiltração em círculos de bananeiras e irrigação de árvores frutíferas”. .

Segundo o projeto, o esgoto propriamente dito vai para o biodigestor e, em seguida, para uma sequência de tanques de “zona de raízes” para a revitalização da qualidade da água. “A gente não está lidando apenas com o tratamento do esgoto em si, mas com a revitalização da água propriamente dita”.

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Núcleo São João Batista (SP) investe na construção de um biodigestor e sistema de tratamento de água e esgoto: exemplo de adequação para o uso responsável da água.

Guilherme Castagna explica: “quando falo de revitalização estou falando de aspectos vitais da água. De aproveitar essa energia que está disponível na matéria orgânica, através do biodigestor, e direcionar como fonte de gás para a cozinha. Depois aproveitar esses nutrientes pelas plantas aquáticas da zona de raízes e, o que sobra de nutrientes infiltra em valas rasas pra poder chegar às plantas”.

Os resíduos orgânicos da cozinha serão processados por um triturador colocado em uma das pias. De lá o orgânico triturado vai para uma parte do biodigestor projetada especificamente para o tratamento desse tipo de resíduo. A opção por separar o tratamento do resíduo orgânico do esgoto dos sanitários foi feita porque o produto do biodigestor de orgânicos da cozinha é biofertilizante puro, que pode ser diluído (na proporção de 10 para 1) e ser usado em qualquer cultivo, inclusive de hortaliças.

A arquiteta especializada em meio ambiente Cláudia de Paula Montanari foi a monitora da Novo Encanto no Núcleo por três anos e acompanhou todo o período em que o projeto foi elaborado e começou a ser implantado. Para ela, o mais interessante é que esse sistema poder ser implantado em qualquer núcleo da União do Vegetal, seja em construção ou um já consolidado. “Claro que uma reforma, a exemplo do que está sendo feito no núcleo São João Batista, sempre demanda mais trabalho, mas é possível acontecer. E isso é muito animador”, afirma.

O projeto, em fase final de implantação, foi elaborado pelo engenheiro civil e permacultor Guilherme Castagna e coordenado pela arquiteta Claudia de Paula Montanari.


O problema da destinação de esgoto é algo que acontece no mundo todo. Nem todos os lugares têm tratamento de esgoto e, mesmo quando tem, nem sempre a forma de tratar é a mais adequada. O mais interessante é realizar o tratamento dos efluentes no próprio terreno.

“E também é possível pensar que a União do Vegetal pode adotar esse princípio na construção de núcleos. É algo totalmente em sintonia com uma instituição que ama a natureza, que ama a floresta e preserva o meio ambiente”, afirma ela.

Cláudia lembra que esse sistema é também uma ação educativa. “Ensina que, se a gente quer continuar com esse benefício maravilhoso de não faltar água, podemos reciclar a própria água. E é auto-educativo porque é possível ver o sistema e aprender com ele”.

Outra vantagem de um sistema integrado com a natureza, segundo a arquiteta, é que ele é bonito de se ver, porque tem plantas e as pessoas gostam de entender como ele funciona.
“Sinto que as pessoas ficam felizes e satisfeitas de saber que isso acontece em um núcleo da União do Vegetal ou mesmo na casa delas”.

 

Texto: equipe de comunicação da Novo Encanto – 3a Região

Fotos: Departamento de Memória e Comunicação do Núcleo São João Batista

 

 

3 Comments
  • Paulo Fernando Carvalho Junqueira
    Posted at 18:53h, 27 março Responder

    Parabéns a Paula e toda equipe da Novo Encanto e Núcleo São João Batista, um belo exemplo de respeito à água e todo o ambiente e de mais uma ação sustentável.

  • Leonel Generoso
    Posted at 12:30h, 29 março Responder

    Muito legal a divulgação dessa experiência e de muitas outras que vem acontecendo pelos núcleos ainda sem a divulgação suficiente. O Manual das boas práticas ABC, uma iniciativa coordenada pela saudosa Iara Reinke tem esse objetivo, inclusive de ser constantemente atualizado. Senti falta, na excelente matéria, de um pequeno esquema da obra, para que pudéssemos visualizar melhor a solução adotada. Parabéns à equipe de comunicação pela bela matéria e aos responsáveis pela concretização do projeto.

  • Almir Nahas
    Posted at 10:08h, 02 abril Responder

    Parabéns pela iniciativa. Por estar em uma área de preservação, que faz divisa com a Reserva Estadual da Serra da Cantareira, o Núcleo São João Batista e outros dois núcleos localizados no mesmo entorno, o Rei Divino e o Menino Galante, desde a sua fundação procuram aprender a cuidar da melhor maneira possível dos recursos na área onde estão instalados. Em 30 anos de acupação, as práticas da irmandade já foram bem aperfeiçoadas, e o aprendizado e aprimoramento continuam.

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